Uma Missão da AEP - Associação Empresarial de Portugal deslocar-se-á ao Irão, entre os dias 8 e 13 do corrente mês de Maio, para prospecção e realização de negócios que possam tornar menos desequilibrada a balança comercial entre os dois países, que no final de 2009 nos era desfavorável em mais de 117 milhões de euros. Portugal importa principalmente petróleo e vende às empresas iranianas máquinas para a indústria, aparelhos mecânicos, equipamentos eléctricos, papel e cartão.
A comitiva será liderada pelo Presidente da AEP, José António Barros, e dela farão parte representantes de 15 empresas portuguesas, com predominância dos sectores dos materiais de construção e da metalomecânica. Do programa constam reuniões e contactos com autoridades e empresários iranianos na capital, Teerão, e na segunda cidade do país, Isfahan.
Na missão estarão representadas as empresas Agrofield (produtos agrícolas), António Meireles (electrodomésticos), Cei-Zipor (maquinaria de corte), CGC Genetics (laboratório de genética), Cinca (cerâmica plana de construção), Decflex (ventilação e ar condicionado), Euroatlantic (companhia aérea de voos charter), Fase (consultoria e projectos de engenharia), Flexidoor (portas metálicas), Irbal (maquinaria para construção civil), Mota Ceramic Solutions (matérias-primas para cerâmica), Plimat (artigos em PVC), VHM (consultoria e gestão de projectos de construção) e Vicaima (madeiras e derivados).
“Pelas nossas afinidades culturais e históricas, pela sua dimensão, localização e influência que tem sobre os países vizinhos e pelas dinâmicas da sua economia, o Irão é hoje um mercado muito interessante para as empresas portuguesas exportadoras”, justifica o Presidente da AEP.
Esta iniciativa é o culminar de um “processo de diplomacia económica, iniciado ainda em 2008, que vai proporcionar negócios e abrir outras portas”, salienta José António Barros, referindo-se ao facto de a associação a que preside, em menos de ano e meio, ter acolhido duas delegações de empresários e membros do Governo iranianos realizando a sua segunda missão.
Portugal “é um país respeitado” naquelas paragens e as empresas nacionais “têm de saber capitalizar a seu favor os aspectos de natureza civilizacional que nos aproximam do Irão”. Essa é a forma “mais eficaz” para um português “captar a confiança e fazer negócios” num país que “tem estado muito menos exposto à crise do que a grande maioria das economias ditas emergentes”, acrescenta.
Um ano depois de ter passado a relacionar-se com as duas principais câmaras de comércio e indústria daquele país do Médio Oriente e de ter dinamizado a constituição do Portugal Irão Business Council, uma plataforma bipartida facilitadora do conhecimento recíproco entre agentes económicos dos dois países, a AEP promove uma nova missão para “consolidar contactos institucionais e proporcionar negócios” às empresas portuguesas. Nesse sentido, integrará a comitiva o presidente daquele organismo, Nader Haghighi, um gestor luso-iraniano que vem desempenhando um papel determinante em prol do reforço do relacionamento económico e empresarial entre Portugal e a República Islâmica do Irão.
Durante cinco dias, os mais de 20 elementos da missão empresarial portuguesa participarão em reuniões institucionais e terão vários encontros de negócios bilaterais. Primeiro, na capital, sob os auspícios da Câmara de Comércio, Indústria e Minas de Teerão; depois, em Isfahan, com a intermediação da Câmara de Comércio e Indústria local. Estão também previstos contactos com membros do Governo e com responsáveis iranianos ligados a operadores económicos públicos e no último dia, em Teerão, haverá uma recepção na embaixada de Portugal.
Desde 2008 que o Irão é um dos alvos prioritários do programa de apoio à internacionalização das empresas portuguesas da AEP, no que tem contado com a colaboração do embaixador daquele país em Lisboa, Rasool Mohajer. Em Novembro passado, acolheu no Porto o vice-ministro das Finanças, Economia e Assistência Técnica iraniano, Behrouz Alishir, que veio acompanhado de cerca de duas dezenas de empresários e dirigentes da Câmara de Comércio, Indústria e Minas de Teerão.
Anteriormente, tinha sido recebida na AEP uma primeira delegação de homens de negócios e o vice-ministro do Ministério das Cooperativas daquele país. Há um ano, na primeira missão da AEP ao Irão, tomou parte o secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, Fernando Serrasqueiro.
Sobre o comércio bilateral Portugal-Irão De acordo com dados preliminares do Eurostat relativos a 2009, as exportações portuguesas para o Irão aumentaram quase 26%, ultrapassando 37,5 milhões de euros , depois de em 2008 terem mais do que duplicado de valor relativamente a 2007.
Analisando a estrutura por produtos, surgem, em primeiro lugar, as exportações de máquinas e aparelhos mecânicos (com 18,4% do total e um aumento muito expressivo de 161% relativamente a 2008). Entre as exportações de produtos desta categoria destacam-se os moldes (89% do total).
Em segundo lugar, vêm as exportações de máquinas e equipamento eléctricos, com 16% do total e um aumento de 32% (sobretudo, isoladores eléctricos).
Em terceiro lugar (e com mais do que seis vezes o valor exportado em 2008), vem o papel e cartão, que representou 10,5% das exportações totais de Portugal para o Irão.
Com mais de um milhão de euros exportados surgem ainda os derivados da madeira, os componentes para a indústria automóvel e os produtos de ferro e aço.
As importações portuguesas provenientes do Irão, muito concentradas em petróleo (97,4% do total), reduziram-se substancialmente em 2009 face a 2008 (-45,9%). Mesmo assim, o seu valor (154,9 milhões de euros) superou largamente o das exportações. Com pouco mais de um milhão de euros importados, surgem em segundo lugar, após o petróleo, as cablagens utilizadas em veículos.
Para qualquer informação adicional, poderá contactar: - Humberto Pinto AEP Internacionalização e Promoção Externa Gestor de Mercado Ásia Telf: 22 998 1777; Fax: 22 998 1774 ou por E-mail.

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