A sucessão empresarial “vai passar a estar na ordem do dia” em Portugal, pois os “decisores públicos vão passar a olhar de outra forma” para um problema que tem “a maior importância para a sustentabilidade das nossas empresas e do emprego”. Para Paulo Nunes de Almeida, vice-presidente da AEP - Associação Empresarial de Portugal, é esta a “principal conclusão” do Congresso Europeu da Sucessão Empresarial que teve lugar a 31 de Janeiro no centro de congressos da Exponor, em Matosinhos.
Na sessão de encerramento, o dirigente associativo aproveitou a presença do presidente do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI) para publicamente propor “uma verdadeira parceria público-privada” que dê seguimento ao projeto Sucessão nas Empresas que a AEP levou a cabo, ao longo do último ano, com o apoio do Programa Operacional de Assistência Técnica do Fundo Social Europeu (POAT/FSE). “O estigma das parcerias entre privados e instituições públicas não existe nas nossas duas organizações e, como aqui se viu, as empresas estão despertas para o problema e precisam de soluções”, disse Paulo Nunes de Almeida dirigindo-se a Luis Filipe Costa, para quem “faz todo o sentido tratar a sucessão como uma medida profilática contra os encerramentos e a perda de emprego”.
No quadro de trabalho futuro, a AEP partilhará tarefas com a Fundação AEP, instituição de utilidade pública vocacionada para o apoio ao empreendedorismo, à modernização e à competitividade do nosso tecido empresarial, que em breve terá a funcionar o Observatório da Sucessão Empresarial em Portugal. O objetivo é “monitorizar, criar pensamento estratégico e disseminar informação” sobre a passagem intergeracional da propriedade e da liderança nas empresas nacionais, como apontou no congresso Valente de Oliveira, administrador da Fundação AEP.
Integram o observatório os empresários Andre Jordan, Alexandre Soares dos Santos, Rui Nabeiro, Manuel Ramirez, Zaida Barbot, Tiago Neiva de Oliveira, Vasco Teixeira, Francisco Maria Balsemão, Paulo Azevedo, Carla Rocha e Ricardo Luz, assim como os docentes universitários Rita Lobo Xavier, José Manuel Moreira e Tawfiq Rkibi.
Na abertura do congresso, Marko Curavic, responsável pela unidade de empreendedorismo da Direcção-Geral das Empresas e da Indústria da Comissão Europeia, realçou a crescente importância das empresas familiares na economia dos 27. A grande maioria são PME e nos últimos cinco anos foram responsáveis por 85% dos novos empregos criados.
Para este orador, “a sucessão depende de um racional e atempado planeamento que, para além dos fundadores, deve envolver os novos líderes”, a quem deve ser exigida uma “melhor preparação” para as funções de gestão e liderança.
Marco Curavic garantiu que a Comissão Europeia está atenta à questão da sucessão nas empresas, enalteceu a iniciativa da AEP e sugeriu a criação de um programa Erasmus para empreendedores. “Será a forma mais eficaz para dotar os empresários com uma nova ferramenta chamada troca de conhecimentos”, justificou.
Francisco Negreira del Rio, outro dos convidados estrangeiros que os mais de cem congressistas escutaram com atenção, concorda com a partilha de experiências entre empresários, mas chamou a atenção para o facto de “a família ser muitas vezes o principal inimigo da empresa”.
Por seu lado, a especialista holandesa Ilse Matser salientou que “a sucessão é um longo e dinâmico processo que, para ter êxito, não pode estar confinado à família”. Para estes três estudiosos da problemática da sucessão nas empresas, as mulheres estão a ganhar protagonismo nas PME europeias e um papel cada mais relevante nos processos sucessórios.
No congresso foi igualmente apresentado o “Livro branco da sucessão empresarial”, um dos propósitos a que a AEP se propôs quando avançou com o projeto Sucessão nas Empresas. Em pouco mais de uma centena de páginas, é feito o diagnóstico da situação atual e adiantada uma visão prospetiva para Portugal em matéria de sucessão, identificadas boas práticas (nacionais e internacionais) e elencadas algumas pistas de trabalho.
Em traços gerais, e como disse, na altura, o vice-presidente da AEP, é um “instrumento de trabalho” que pretende contribuir para a regeneração do tecido empresarial nacional, através do estímulo ao empreendedorismo e do combate preventivo às falências e ao desemprego, favorecendo a continuidade das empresas e a qualificação dos titulares dos seus órgãos de administração.
Em Portugal, sublinha-se no livro, 80% das empresas são de cariz familiar, geram cerca de 60% do PIB português e são responsáveis por 50% do emprego. Porém, metade das empresas familiares portuguesas não passam da primeira para a segunda geração e apenas 20% conseguem atingir a terceira.
Mais informações em sucessaoempresarial.aeportugal.pt.

|